sábado, 2 de julho de 2016

35 - A importancia do tropeirismo para o estado de São Paulo







O tropeirismo, trabalho de criação, condução e comercialização do gado, teve início em meados do século XVII e foi responsável pela integração entre o litoral e o primeiro planalto, também ampliando o povoamento e o fluxo de gado do Sul para o centro do país.
Era comum que muitos tropeiros, além de conduzirem tropas, também fossem proprietários de terras. Eles compravam os animais no Rio Grande do Sul para vendê-los em Sorocaba (SP). Cruzavam Santa Catarina e a região de Curitiba ou qualquer outro ponto intermediário entre a Lapa e Castro e, após viajar o dia todo, pagavam ao proprietário da invernada o aluguel para o descanso das tropas.
As mulas eram os animais de carga mais usados para estas empreitadas por serem bastante resistentes, terem grande capacidade de equilíbrio e por passarem por trechos difíceis com muita carga e passividade.
Um desses animais era ensinado para conduzir os demais. Geralmente, tinha-se o costume de se enfeitar a mula-guia com um penacho na cabeça, além de outros ornamentos, como conchas e fitas. O animal também carregava um cincerro pendurado ao pescoço. Quanto às demais mulas, eram amarradas umas às outras pelo rabo de modo que o transporte fosse seguro e que caminhassem sempre em linha.

A rota dos tropeiros


A rota dos tropeiros
A rota dos tropeiros




A herança dos bandeirantes e dos tropeiros


Um bandeirante ou tropeiro era iniciado na profissão por volta dos 10 anos, acompanhando os adultos. O vestuário do sertanista, composto de chapéu grande de feltro, camisa de pano forte como lona, manta que era jogada sobre os ombros com uma abertura no centro (ao estilo dos gaúchos) e botas de couro que chegavam até a metade da perna para proteção contra animais peçonhentos, fundamental para a sobrevivência nas matas e campos.
Dos tropeiros e dos bandeirantes herdamos muitos costumes alimentares, como toucinho, feijão-preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coité. Nos pousos, apreciava-se o feijão-preto com pouco molho e com muitos pedaços de carne de sol e toucinho. Esse prato ficou conhecido pelo nome de feijão-tropeiro que, como antigamente, é servido com farofa e couve picada. A cachaça fazia parte do cotidiano desses homens, especialmente nos dias de muito frio ou para evitar a picada de insetos.
Um de seus principais utensílios era uma grande sacola ou baú – em que guardavam suas roupas e outros instrumentos de valor; também tinham uma sela cheia de instrumentos que se suspendia em pesados estribos. Costumava-se chamar de “malotagem” os apetrechos e arreios necessários a cada animal, e de “broaca” os bolsões de couro que iam sobre a cangalha para guardar mais mercadoria.
Algumas profissões que conhecemos atualmente são oriundas do desenvolvimento das viagens sertanistas no estado, tais como a de rancheiro (dono de rancho) e a de ferrador, responsável por pregar as ferraduras nos animais das tropas e que, às vezes, também atuava como veterinário. Peão era todo amansador de equinos e muares à moda do sertão.
Pode-se notar, portanto, a importância do movimento sertanista para o povoamento do interior do Sul e Sudeste do Brasil. Com o tempo, esses homens abandonaram a atividade de caça e venda de escravos indígenas e passaram a se dedicar ao comércio e transporte de gado.
Essa atividade surgiu de forma paralela à produção dos engenhos de açúcar. Nesses locais era muito utilizada a força animal para mover as moendas, que espremiam o caldo da cana. Além disso, as terras nordestinas, naquela época, estavam quase que inteiramente destinadas ao cultivo desse produto. Por isso, muitos engenhos passaram a consumir alimentos, como o charque, vindos de outras regiões do país. A maioria desses alimentos era trazida em razão do comércio do gado e da atividade dos tropeiros no Sul do país.
Essa atividade interligou várias regiões do país, especialmente o Sudeste com o Sul, pois o gado era trazido da região de Vacaria (atual estado do Rio Grande do Sul) para chegar a São Vicente, onde era então vendido a outras tropas que levariam os animais até a região Nordeste.

Museu dos Tropeiros. Castro (PR).


 Museu dos Tropeiros. Castro (PR).
Museu dos Tropeiros. Castro (PR).




Glossário


Cincerro: chocalho ou sineta colocado no pescoço de um animal preso a uma coleira. É comum em bovinos ou equinos para guiar uma tropa ou o gado.
Coité: molho de vinagre com fruto cáustico espremido.






Links:


Sanderlei Silveira (Website)

Conheça seu Estado - História e Geografia

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês

Áudio Livro

Livros Online

Obra completa de Machado de Assis

Billboard Hot 100 - Letras de Músicas | Song Lyrics - Songtext - Testo Canzone - Paroles Musique - 歌曲歌词 - 歌詞 - كلمات الاغنية - песни Текст

Educação Infantil - Vídeos, Jogos e Atividades Educativas para crianças de 4 à 11 anos

Língua Portuguesa e Atualidades

Arte e Estética

Santa Catarina - Conheça seu Estado

São Paulo - Conheça seu Estado

Paraná - Conheça seu Estado

Mato Grosso do Sul - Conheça seu Estado

Bíblia Online

O Diário de Anne Frank

Mário de Andrade - Macunaíma

Machado de Assis - Dom Casmurro

Machado de Assis - Quincas Borba

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis - Esaú e Jacó

Adolf Hitler - Mein Kampf

José de Alencar - Cinco Minutos

Lima Barreto - O Triste Fim de Policarpo Quaresma

História em 1 Minuto

TOP 50:


Mein Kampf - Adolf Hitler - Download PDF Livro Online

As festas populares no estado de São Paulo

O Alienista - Machado de Assis - PDF Download Livro Online

Assalto - Carlos Drummond de Andrade

Atividades extrativistas do estado de São Paulo - SP

As festas populares no estado do Paraná - PR

Áreas de preservação no estado de São Paulo - SP

O Diário de Anne Frank - Download PDF Livro Online

Gonçalves Dias - Marabá - Poesia

O tropeirismo no estado do Paraná - PR

Macunaíma - Mário de Andrade - PDF Download Livro Online

Bacias hidrográficas do estado de São Paulo - SP

Atividades extrativistas no Paraná - PR

Os imigrantes no século XIX e XX no estado do Paraná - PR

Atividades extrativistas do Mato Grosso do Sul - MS

As atividades econômicas do estado de São Paulo - SP

As festas populares do estado de Mato Grosso do Sul - MS

Biomas brasileiros - SC

Atividades extrativistas de Santa Catarina - SC

Religião – Idade Antiga (História em 1 Minuto)

A população africana e a escravidão no Paraná - PR

Os imigrantes no estado de Santa Catarina no século XX - SC

Áreas de preservação Ambiental no estado de Santa Catarina - SC

As comunidades quilombolas no Mato Grosso do Sul - MS

O relevo do estado de São Paulo - SP

As atividades econômicas do estado do Paraná - PR

Esaú e Jacó - Machado de Assis - PDF Download Livro Online

Áreas de preservação Ambiental no estado de Mato Grosso do Sul - MS

Memórias Póstumas de Brás Cubas - Capítulo 160 - Das Negativas (Machado de Assis)

Os biomas no estado do Mato Grosso do Sul - MS

A urbanização no estado de São Paulo no início do século XX - SP

A organização do espaço geográfico brasileiro

A poluição do rio Iguaçu (maior rio do Paraná) - PR

Clima e relevo do estado do Paraná - PR

As atividades econômicas no estado de Santa Catarina - SC

Áreas de preservação do estado do Paraná - PR

O Humanitismo - Capítulo 117 - Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

Mário de Andrade - Macunaíma - Capítulo V

As comunidades quilombolas no estado de Santa Catarina - SC

Vegetação nativa do estado de Santa Catarina - SC

As comunidades quilombolas no estado de São Paulo na atualidade - SP

Os índios Xetá no estado do Paraná - PR

Bacias hidrográficas de Santa Catarina - SC

Rio Iguaçu e sua importancia na historia do Paraná - PR

Machado de Assis - Esaú e Jacó - Capítulo 60 - Manhã de 15

A ocupação e o povoamento do Mato Grosso do Sul - MS

Clima e relevo no estado de Santa Catarina - SC

A formação da cultura de Santa Catarina - SC

Capítulo 17 - Ursa Maior - Mário de Andrade - Macunaíma

Luís Vaz de Camões - Soneto 57 - De Vos me Aparto, oh Vida! Em Tal Mudança

Bacias hidrográficas do Mato Grosso do Sul - MS

Gonçalves Dias - Canção do exílio - Poesia

As comunidades quilombolas no estado do Paraná - PR

A imigração europeia no estado do Paraná - PR

Elizabeth Barrett Browning - Sonnet 43 - How Do I Love Thee?

Biomas brasileiros - PR

Relevo do estado de Mato Grosso do Sul - MS

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Luís Vaz de Camões - Soneto 43 - Como Quando do Mar Tempestuoso

Mário de Andrade - Macunaíma - Capítulo VIII

A população indígena na região do estado de Santa Catarina - SC

Luís Vaz de Camões - Soneto 45 - Leda Serenidade Deleitosa

Norte Catarinense (Mesorregião) - SC

Mário de Andrade - Macunaíma - EPÍLOGO

Mário de Andrade - Macunaíma - Capítulo XV

Outros Links:


Obra completa de Machado de Assis

Machado de Assis - Dom Casmurro

Machado de Assis - Quincas Borba

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

O Diário de Anne Frank

Educação Infantil

Bíblia Online

História e Geografia

Casa do Sorvete

Sanderlei Silveira

Conheça seu Estado - História e Geografia

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês

Santa Catarina - História e Geografia

Paraná - História e Geografia

Mato Grosso do Sul - História e Geografia

São Paulo - História e Geografia

Mário de Andrade - Macunaíma

Adolf Hitler - Mein Kampf

SAP - Treinamentos

Datasul - Tutoriais

Nenhum comentário:

Postar um comentário